{"id":2221,"date":"2026-08-14T10:09:34","date_gmt":"2026-08-14T13:09:34","guid":{"rendered":"https:\/\/romulofelippe.com\/?p=2221"},"modified":"2026-08-14T10:09:34","modified_gmt":"2026-08-14T13:09:34","slug":"que-o-leitor-faca-uma-imersao-ancorada-pela-historicidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/romulofelippe.com\/?p=2221","title":{"rendered":"\u201cQue o leitor fa\u00e7a uma imers\u00e3o ancorada pela historicidade\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\"><em>O bi\u00f3grafo Romulo Felippe fala sobre o lan\u00e7amento da biografia &#8216;Os mares da Vit\u00f3ria&#8217;, obra que celebra as oito d\u00e9cadas do Iate Clube do Esp\u00edrito Santo. <\/em><em>Com obras publicadas no Brasil, Europa e Estados Unidos, o escritor capixaba \u00e9 autor de 27 livros, sendo 15 biografias. Com 40 anos de jornalismo, trabalhou em reportagens especiais nos quatro cantos do mundo. O escritor e bi\u00f3grafo \u00e9 membro da secular Academia Esp\u00edrito-santense de Letras e do centen\u00e1rio Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Esp\u00edrito Santo.<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Como o livro est\u00e1 organizado, de forma cronol\u00f3gica, tem\u00e1tica, mista?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Para a biografia dos 80 anos do Iate Clube do Esp\u00edrito Santo optei por trabalhar com cap\u00edtulos que v\u00e3o desde sua funda\u00e7\u00e3o, passando pelos principais fatos hist\u00f3ricos e por uma s\u00e9rie de depoimentos colhidos sem, entretanto, preocupar-me com a cronologia dos fatos. A ideia \u00e9 que o leitor fa\u00e7a uma imers\u00e3o ancorada pela historicidade, mas que funde passado, presente e futuro ao longo de suas p\u00e1ginas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Quais s\u00e3o os principais cap\u00edtulos ou eixos narrativos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Desde o seu nascimento, em 1946, aos dias de hoje uma s\u00e9rie de Comodoros passaram pela entidade n\u00e1utica. E muitos deles est\u00e3o viv\u00edssimos, denotando a \u2018hist\u00f3ria viva\u2019 que movimenta as marinas do Ices. Com isso temos cap\u00edtulos que envolvem administradores, pescarias hist\u00f3ricas e o mar de a\u00e7\u00f5es que o tornam grandioso em nosso litor\u00e2neo Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Quais os personagens mais ic\u00f4nicos e importantes foram entrevistados pra contar essa hist\u00f3ria? personagens ou figuras que se destacam ao longo da narrativa como pilares da hist\u00f3ria do clube<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quando se \u2018pesca\u2019 a hist\u00f3ria de uma entidade (no bom jarg\u00e3o de um clube voltado para o mar) trazemos uma s\u00e9rie de depoimentos vigorosos. Reminisc\u00eancias de outros tempos com a for\u00e7a do presente. Temos Comodoros e associados que ali est\u00e3o h\u00e1 mais de quatro d\u00e9cadas. Assim como a determina\u00e7\u00e3o do atual, o Comodoro Fabiano Pereira, que conseguiu concluir a t\u00e3o sonhada Marina Norte. Cada qual ergueu um importante degrau para um clube que, apesar de privado, vai muito al\u00e9m de seus muros e ganha o cora\u00e7\u00e3o da sociedade capixaba. Que alcan\u00e7a a periferia com suas a\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Quais epis\u00f3dios hist\u00f3ricos o livro destaca como mais marcantes na trajet\u00f3ria do clube? Al\u00e9m do recorde marlim azul de 92.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os recordes s\u00e3o devidamente valorizados na biografia. Afinal, foram eles que levaram o nome da institui\u00e7\u00e3o para al\u00e9m-mar, literalmente. Mas o que mais me chamou a aten\u00e7\u00e3o, no processo de apura\u00e7\u00e3o do livro, \u00e9 que o Iate Clube nasceu da paix\u00e3o dos locais com a chegada dos ingleses que vieram trabalhar, entre outras \u00e1reas, no ramo de energia el\u00e9trica. O amor desses dois povos, entre ch\u00e1s e ca\u00e7adas, culminou no surgimento das primeiras competi\u00e7\u00f5es de barco a vela e da necessidade de se criar um clube para organizar os encontros e as competi\u00e7\u00f5es (e a paix\u00e3o em comum). Isso em um Estado com uma extrema voca\u00e7\u00e3o n\u00e1utica, iniciada com os povos ind\u00edgenas, passando pelo primeiro Donat\u00e1rio Vasco Fernandes Coutinho e avan\u00e7ando ao longo de cinco s\u00e9culos.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>O livro traz registros in\u00e9ditos, como fotos, documentos ou depoimentos que nunca foram publicados antes?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A biografia \u2018Os mares da Vit\u00f3ria\u2019 \u00e9 uma ode \u00e0 capital do Esp\u00edrito Santo e seu enorme cora\u00e7\u00e3o mar\u00edtimo. Com rica iconografia, o livro traz bel\u00edssimas fotografias de Vit\u00f3ria, das grandes competi\u00e7\u00f5es de pesca e vela, de seus personagens e registros hist\u00f3ricos de tirar o f\u00f4lego. Ser\u00e1 uma imers\u00e3o sem igual, garanto.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>O livro aborda apenas o lado esportivo ou tamb\u00e9m a dimens\u00e3o social, beneficente e institucional do clube?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O Iate Clube do Esp\u00edrito Santo foi forjado, ao longo dessas oito d\u00e9cadas, com a miss\u00e3o de abra\u00e7ar o povo capixaba. Vejamos, por exemplo, a escolinha de velas na comunidade de S\u00e3o Pedro \u2013 um centro de novos e futuros campe\u00f5es (e de cidad\u00e3os mais preparados para o mundo). Temos os jantares beneficentes. E uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es sociais em prol do nosso Estado. Uma biografia, por fim, feita atrav\u00e9s do amor pelos mares, mas acima de tudo com um olhar humano que habita desde as suas primeiras atas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>H\u00e1 algum per\u00edodo da hist\u00f3ria do clube que o livro aprofunda com mais destaque?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m das primeiras d\u00e9cadas, e das primeiras regatas \u2013 com o povo se espreitando na hoje Curva da Jurema em busca dos melhores \u00e2ngulos \u2013 creio que as duas \u00faltimas d\u00e9cadas ganham um maior aprofundamento. Foi a partir desses anos mais recentes que o Ices foi al\u00e7ado dentre os melhores do pa\u00eds. Uma estrutura fundamental para os navegadores que cortam a costa brasileira e buscam apoio em nossas \u00e1guas capixabas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Em uma frase, como voc\u00ea descreveria o livro para quem ainda n\u00e3o o conhece?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O livro dos 80 anos do Iate Clube do Esp\u00edrito Santo nos permite conhecer, ainda mais a fundo, um Estado banhado pelo Atl\u00e2ntico, que interliga a nossa capital com todos os portos do mundo e que forja recordistas de pesca oce\u00e2nicas e de velejadores. Para o capixaba a obra amplia o nosso olhar interno, aquele que nos deixa boquiabertos perante a beleza da nossa natureza; para os de fora ficar\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de descobrimento e de encantamento por conta das nossas potencialidades mar\u00edtimas. Em lugar nenhum do tempo h\u00e1 competi\u00e7\u00f5es de velas e de pesca dos gigantes marinhos t\u00e3o pr\u00f3ximos e acess\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Qual \u00e9 a frase ou trecho que melhor sintetiza o esp\u00edrito do que foi escrito? Se puder colocar uma cita\u00e7\u00e3o direta de algum trecho do livro seria bom pra usarmos na divulga\u00e7\u00e3o. <\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cNa tardinha de 4 de agosto de 1946, enquanto as primeiras turbinas el\u00e9tricas giravam no Estado em ritmo experimental, ergueu-se a fl\u00e2mula do Iate Clube do Esp\u00edrito Santo. Uma cis\u00e3o perfeita entre a fa\u00edsca da industrializa\u00e7\u00e3o e o sopro dos ventos costeiros. O que come\u00e7ou como extens\u00e3o do trabalho desses ingleses, que era iluminar a cidade, acabou iluminando tamb\u00e9m o imagin\u00e1rio coletivo, instaurando na ba\u00eda uma tradi\u00e7\u00e3o n\u00e1utica que, oito d\u00e9cadas depois, ainda resplandece sob o mesmo sopro de modernidade que trouxe a energia \u00e0s ruas rec\u00e9m-clareadas de Vit\u00f3ria\u201d. (p\u00e1g. 19, cap\u00edtulo 1 \u2013 A for\u00e7a dos mastros e dos anz\u00f3is).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>Qual foi o maior desafio de recontar 80 anos de hist\u00f3ria de uma institui\u00e7\u00e3o t\u00e3o presente na vida social capixaba?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Todo bi\u00f3grafo carrega nos ombros a responsabilidade em colocar no papel a ess\u00eancia de uma grande hist\u00f3ria, unindo o rigor dos acontecimentos de uma forma que permita ao leitor navegar pelo enredo. Deve-se ser fiel aos fatos sem perder a sensibilidade que exige a boa literatura. Assim, o maior desafio foi escrever uma jornada de oito d\u00e9cadas que, como um excelente barco a vela, segue em movimento, dia ap\u00f3s dia, rumo ao centen\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>H\u00e1 algum epis\u00f3dio ou per\u00edodo da hist\u00f3ria do clube que te surpreendeu durante a pesquisa, algo que voc\u00ea n\u00e3o esperava encontrar?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Creio que me chamou bastante a aten\u00e7\u00e3o o fato de os pescadores capixabas terem sido os precursores, l\u00e1 nos anos 60, na pesca dos marlins azuis. Esses gigantes que habitam as nossas \u00e1guas. Toda essa batalha nas \u00e1guas me faz lembrar de Hemingway ao capturar o seu monstro oce\u00e2nico: \u201cnada maior, mais belo, mais calmo ou mais nobre do que voc\u00ea, irm\u00e3o\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O bi\u00f3grafo Romulo Felippe fala sobre o lan\u00e7amento da biografia &#8216;Os mares da Vit\u00f3ria&#8217;, obra que celebra as oito d\u00e9cadas do Iate Clube do Esp\u00edrito Santo. Com obras publicadas no Brasil, Europa e Estados Unidos, o escritor capixaba \u00e9 autor de 27 livros, sendo 15 biografias. 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