{"id":2241,"date":"2026-11-01T19:35:51","date_gmt":"2026-11-01T22:35:51","guid":{"rendered":"https:\/\/romulofelippe.com\/?p=2241"},"modified":"2026-11-01T19:37:52","modified_gmt":"2026-11-01T22:37:52","slug":"quando-a-historia-apaga-um-homem-cabe-a-literatura-lhe-devolver-a-voz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/romulofelippe.com\/?p=2241","title":{"rendered":"\u201cQuando a hist\u00f3ria apaga um homem, cabe \u00e0 literatura lhe devolver a voz\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"font-weight: 400;\"><strong>A nova biografia do escritor Romulo Felippe sobre o Coronel Henrique da Silva Coutinho<\/strong><\/h2>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Leonel Ximenes<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>lximenes@redegazeta.com.br<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Um dos personagens mais emblem\u00e1ticos da Primeira Rep\u00fablica, o coronel da Guarda Nacional Henrique da Silva Coutinho passou por um verdadeiro processo de apagamento hist\u00f3rico. As provas deste alijamento secular est\u00e3o no livro \u201cO Homem Apagado da Hist\u00f3ria\u201d, obra de 360 p\u00e1ginas que ser\u00e1 lan\u00e7ada em 17 de novembro pelo escritor Romulo Felippe, membro da Academia Esp\u00edrito-santense de Letras (AEL).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A biografia do Coronel Coutinho (que presidiu a Assembleia Legislativa, foi senador da Rep\u00fablica e governou o Estado por duas vezes, a \u00faltima no mandato 1904-1908) revela uma das disputas pol\u00edticas mais explosivas da Primeira Rep\u00fablica capixaba e reexamina decis\u00f5es que ajudaram a transformar Vit\u00f3ria em centro portu\u00e1rio e ferrovi\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os ingredientes s\u00e3o in\u00fameros: sua amizade de 14 anos com o antecessor Muniz Freire acabou num telefone cortado a tesoura dentro do pal\u00e1cio; um impeachment aprovado na Assembleia em 1905 e dois &#8220;congressos&#8221; rivais em 1906, cada lado se proclamando vencedor; e, entre outros fatos, um plano de assassinato contra o governador, noticiado pela imprensa em 1906.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cO \u00e1pice da briga com Muniz se deu em 1907, quando Coutinho vendeu a Estrada de Ferro Sul \u00e0 Leopoldina Railway por 4 mil contos, uma heran\u00e7a munizista que culminara em d\u00edvida externa para o Esp\u00edrito Santo\u201d, conta o autor.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A oposi\u00e7\u00e3o gritou, mas, gra\u00e7as \u00e0 ousadia do Coronel Coutinho, em 1910 os trilhos finalmente ligaram Vit\u00f3ria \u00e0 capital federal, revela o bi\u00f3grafo. No governo de Coutinho tamb\u00e9m foram inaugurados a Estrada de Ferro Vit\u00f3ria-Minas e o Porto de Vit\u00f3ria, obras que refor\u00e7aram a posi\u00e7\u00e3o da Capital como eixo de circula\u00e7\u00e3o de caf\u00e9, min\u00e9rio e outras riquezas. Ele assumiu, por\u00e9m, um Estado endividado e com poucas condi\u00e7\u00f5es de investimento, heran\u00e7a de uma crise econ\u00f4mica e de projetos que n\u00e3o chegaram ao fim.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No Senado, enfrentou Rui Barbosa em embates calorosos e chegou a desafiar colegas para duelos \u00e0 moda antiga. Entre outros, foi coautor da emenda de 1902 sobre as areias monaz\u00edticas de Guarapari, que \u00e0 \u00e9poca era tema nacional. Nos \u00faltimos anos de vida, Coutinho viveu exilado no Rio, debilitado e em cadeira de rodas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A certid\u00e3o de \u00f3bito registra \u201cembolia cerebral\u201d como causa da morte, em 13 de junho de 1915. Morreu pobre e probo, mas cercado pelo reconhecimento de sua probidade j\u00e1 que seu funeral recebeu honras de chefe de Estado.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cUma prova de seu apagamento hist\u00f3rico \u00e9 que praticamente inexistem, nos arquivos locais, exemplares de jornais capixabas deste per\u00edodo de seu passamento. Precisei buscar em jornais cariocas detalhes de sua morte\u201d, real\u00e7a o acad\u00eamico. De maneira que a biografia acompanha tamb\u00e9m o processo pelo qual antigos advers\u00e1rios e rearranjos pol\u00edticos contribu\u00edram para o apagamento de seu nome.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A RECONSTITUI\u00c7\u00c3O HIST\u00d3RICA<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Para reconstituir essa trajet\u00f3ria, Romulo Felippe pesquisou milhares de documentos, jornais, registros e imagens, al\u00e9m de ouvir descendentes da fam\u00edlia. O resultado apresenta um personagem controverso e contundente, pouco conhecido at\u00e9 ent\u00e3o, cuja atua\u00e7\u00e3o ajuda a compreender a forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica do Esp\u00edrito Santo na Primeira Rep\u00fablica. \u00c9 a saga do l\u00edder que sucedeu Muniz Freire e elegeu Jer\u00f4nimo Monteiro como sucessor.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cAcredito que, quando a hist\u00f3ria apaga um homem, cabe \u00e0 literatura lhe devolver a voz\u201d, sentencia o bi\u00f3grafo de nomes como Theodorico Ferra\u00e7o e Eucl\u00e9rio Sampaio, lembrando que, gra\u00e7as \u00e0s a\u00e7\u00f5es munizistas, o velho coronel n\u00e3o batizou com seu nome munic\u00edpios nem ganhou bustos de bronze em pra\u00e7a p\u00fablica, embora tenha virado nome de escolas e de ruas. O homem era descendente direto do donat\u00e1rio Vasco Fernandes Coutinho.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O lan\u00e7amento da biografia \u201cO Homem Apagado da Hist\u00f3ria\u201d (R$ 25, edi\u00e7\u00e3o de luxo) vai ocorrer no dia 17 de novembro, na Biblioteca Municipal Adelpho Poli Monjardim, na Cidade Alta, em Vit\u00f3ria. A renda das vendas ser\u00e1 integralmente revertida ao Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Esp\u00edrito Santo e \u00e0 Academia Esp\u00edrito-santense de Letras, duas das mais antigas entidades culturais do Estado.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.agazeta.com.br\/colunas\/leonel-ximenes\/conheca-o-homem-poderoso-que-foi-apagado-da-historia-do-es-1026?utm_source=chatgpt.com\">Link do artigo em A Gazeta:<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A nova biografia do escritor Romulo Felippe sobre o Coronel Henrique da Silva Coutinho Leonel Ximenes lximenes@redegazeta.com.br Um dos personagens mais emblem\u00e1ticos da Primeira Rep\u00fablica, o coronel da Guarda Nacional Henrique da Silva Coutinho passou por um verdadeiro processo de apagamento hist\u00f3rico. As provas deste alijamento secular est\u00e3o no livro \u201cO Homem Apagado da Hist\u00f3ria\u201d, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2242,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-2241","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-livros"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/romulofelippe.com\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/romulo-e-a-capa-do-livro.jpg",1086,1448,false],"thumbnail":["https:\/\/romulofelippe.com\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/romulo-e-a-capa-do-livro-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/romulofelippe.com\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/romulo-e-a-capa-do-livro-225x300.jpg",225,300,true],"medium_large":["https:\/\/romulofelippe.com\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/romulo-e-a-capa-do-livro-768x1024.jpg",740,987,true],"large":["https:\/\/romulofelippe.com\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/romulo-e-a-capa-do-livro-768x1024.jpg",740,987,true],"1536x1536":["https:\/\/romulofelippe.com\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/romulo-e-a-capa-do-livro.jpg",1086,1448,false],"2048x2048":["https:\/\/romulofelippe.com\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/romulo-e-a-capa-do-livro.jpg",1086,1448,false],"post-thumbnail":["https:\/\/romulofelippe.com\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/romulo-e-a-capa-do-livro-1000x600.jpg",1000,600,true],"mvp-post-thumb":["https:\/\/romulofelippe.com\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/romulo-e-a-capa-do-livro-1000x600.jpg",1000,600,true],"mvp-port-thumb":["https:\/\/romulofelippe.com\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/romulo-e-a-capa-do-livro-560x600.jpg",560,600,true],"mvp-large-thumb":["https:\/\/romulofelippe.com\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/romulo-e-a-capa-do-livro-590x354.jpg",590,354,true],"mvp-mid-thumb":["https:\/\/romulofelippe.com\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/romulo-e-a-capa-do-livro-400x240.jpg",400,240,true],"mvp-small-thumb":["https:\/\/romulofelippe.com\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/romulo-e-a-capa-do-livro-80x80.jpg",80,80,true],"mailpoet_newsletter_max":["https:\/\/romulofelippe.com\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/romulo-e-a-capa-do-livro.jpg",1086,1448,false],"woocommerce_thumbnail":["https:\/\/romulofelippe.com\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/romulo-e-a-capa-do-livro-300x300.jpg",300,300,true],"woocommerce_single":["https:\/\/romulofelippe.com\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/romulo-e-a-capa-do-livro-600x800.jpg",600,800,true],"woocommerce_gallery_thumbnail":["https:\/\/romulofelippe.com\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/romulo-e-a-capa-do-livro-100x100.jpg",100,100,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"Assessoria de Imprensa","author_link":"https:\/\/romulofelippe.com\/?author=1"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A nova biografia do escritor Romulo Felippe sobre o Coronel Henrique da Silva Coutinho Leonel Ximenes lximenes@redegazeta.com.br Um dos personagens mais emblem\u00e1ticos da Primeira Rep\u00fablica, o coronel da Guarda Nacional Henrique da Silva Coutinho passou por um verdadeiro processo de apagamento hist\u00f3rico. As provas deste alijamento secular est\u00e3o no livro \u201cO Homem Apagado da Hist\u00f3ria\u201d,&hellip;","amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/romulofelippe.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2241","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/romulofelippe.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/romulofelippe.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/romulofelippe.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/romulofelippe.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2241"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/romulofelippe.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2241\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2244,"href":"https:\/\/romulofelippe.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2241\/revisions\/2244"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/romulofelippe.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2242"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/romulofelippe.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2241"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/romulofelippe.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2241"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/romulofelippe.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2241"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}